Estimulação Cerebral Profunda: quando é indicada no Parkinson?

Receber o diagnóstico de doença de Parkinson e, com o tempo, perceber que os remédios já não controlam tão bem o tremor, a rigidez ou as “oscilações” ao longo do dia é uma situação que gera insegurança em muitos pacientes e famílias. Nessa fase, é comum ouvir falar em DBS para Parkinson e ter dúvidas: é cirurgia? É perigoso? Vale a pena? Para quem é indicado?
Neste artigo, vamos explicar de forma clara o que é a Estimulação Cerebral Profunda (DBS), como ela age no cérebro, quando pode ser indicada, quais são os cuidados e riscos, e quais alternativas existem – sempre com o olhar da Clínica DM Plus, que reúne neurologia, reabilitação e tecnologia avançada no cuidado. Continue sua leitura para entender esse tratamento!
O que é DBS?
A Estimulação Cerebral Profunda (ou DBS – Deep Brain Stimulation) é um tratamento cirúrgico utilizado em casos selecionados de Parkinson. De forma simples, o DBS consiste na implantação de eletrodos cerebrais muito finos em áreas específicas do cérebro responsáveis pelo controle do movimento.
Esses eletrodos são conectados a um pequeno gerador de pulso elétrico, semelhante a um marca-passo, geralmente posicionado abaixo da pele, na região do tórax.
Esse gerador envia estímulos controlados que modulam circuitos motores alterados pela doença.
O objetivo da Estimulação Cerebral Profunda no Parkinson é “organizar” a atividade dos circuitos motores, melhorando a qualidade do movimento.
Como o DBS funciona no cérebro?
No Parkinson, regiões profundas do cérebro envolvidas no controle motor passam a funcionar de maneira desregulada.
Os alvos mais utilizados no DBS são o STN (núcleo subtalâmico) e o GPi (globo pálido interno). Essas estruturas fazem parte de circuitos que regulam:
- A fluidez dos movimentos;
- O controle de postura;
- A coordenação entre iniciar, manter e finalizar ações motoras.
Assim, ao estimular esses alvos com impulsos elétricos controlados, o DBS no Parkinson ajuda a reduzir tremores intensos e persistentes, diminuir rigidez muscular e sensação de “corpo travado”, melhorar a lentidão para iniciar movimentos e suavizar flutuações motoras entre doses de medicação.
Quando o DBS é indicado para pessoas com Parkinson?
O DBS não é o primeiro passo do tratamento. Ele costuma ser considerado quando:
- Há flutuações motoras importantes, com períodos de boa resposta intercalados com travamento ou discinesias (movimentos involuntários);
- Existe tremor resistente à medicação, mesmo após vários ajustes;
- O paciente ainda apresenta boa resposta à levodopa, o que sugere que os circuitos motores podem se beneficiar da estimulação;
- A avaliação cognitiva é adequada, sem demência significativa;
- Não há contraindicações cirúrgicas relevantes.
Cada caso exige uma análise cuidadosa da equipe neurológica, levando em conta idade, comorbidades, sintomas predominantes, rotina e expectativas da pessoa e da família.
Na Clínica DM Plus, a indicação de procedimentos como DBS é sempre feita de forma individualizada, com foco em segurança, evidência científica e qualidade de vida.
O DBS é seguro? Quais são os riscos e cuidados?
A Estimulação Cerebral Profunda é uma técnica consolidada, com mais de duas décadas de uso em grandes centros internacionais no tratamento da doença de Parkinson e outros distúrbios do movimento.
É um procedimento seguro quando realizado por equipe experiente, com estrutura adequada e protocolos bem definidos.
Como qualquer cirurgia, há riscos (como sangramento, infecção, efeitos adversos da anestesia), mas eles são bem conhecidos e discutidos previamente com o paciente.
Após o implante, é necessário um seguimento próximo para ajuste da estimulação e das medicações.
O resultado final depende da combinação de programação dos parâmetros do gerador, prática de reabilitação (fisioterapia, fonoaudiologia e neuropsicologia) e acompanhamento neurológico contínuo.
Na DM Plus, a avaliação para DBS é integrada ao uso de sensores de análise de marcha e equilíbrio, realidade virtual e protocolos de reabilitação neurológica, oferecendo uma visão ampla da funcionalidade do paciente antes e depois do procedimento.

Perguntas frequentes sobre o DBS para Parkinson
A seguir, vamos responder a dúvidas comuns de pacientes sobre o DBS no controle da doença de Parkinson. Confira!
Como é a avaliação para o tratamento com DBS?
O caminho até o DBS no Parkinson é organizado em etapas, para garantir segurança e clareza. É feita uma análise detalhada dos sintomas motores e não motores, da assim como da resposta à medicação (especialmente levodopa). É importante que haja uma discussão de expectativas e que o paciente faça exames complementares para avaliar suas condições cognitivas.
Quais são as alternativas ao DBS no Parkinson?
O DBS não é a única opção quando o tratamento fica mais complexo. Entre as alternativas estão, por exemplo, a otimização de medicação, com ajustes finos feitos por um neurologista especialista em distúrbios do movimento, a fisioterapia neurológica especializada, que é essencial em todas as fases da doença, para marcha, equilíbrio, força e prevenção de quedas, a neuromodulação não invasiva (TMS, tDCS) e o ultrassom focalizado de alta intensidade (HIFU), para tremor essencial ou casos específicos. A escolha da melhor estratégia depende da avaliação global do paciente e do momento da doença.
Em quais casos o DBS não é recomendado?
A Estimulação Cerebral Profunda costuma não ser recomendada para Parkinson atípico ou outras síndromes parkinsonianas que não respondem bem à levodopa, para demência moderada ou grave, com impacto importante na cognição, e para transtornos psiquiátricos graves que não estiverem controle, como depressão ou psicoses ativas. Contraindicações também incluem casos de risco cirúrgico alto, por condições clínicas que aumentam muito o perigo da anestesia ou do procedimento em si. Nesses cenários, a prioridade é ajustar medicação, reabilitação e outras abordagens menos invasivas.
Conclusão
O DBS no Parkinson é uma ferramenta poderosa para melhorar o controle de sintomas motores em casos bem selecionados, especialmente quando a medicação isolada já não oferece o mesmo resultado. Com avaliação criteriosa, planejamento cirúrgico adequado, equipe experiente e reabilitação integrada, é possível conquistar mais estabilidade e qualidade de vida no dia a dia.
Se você deseja entender se o DBS é indicado para o seu caso ou para alguém da sua família, converse com nossa equipe e agende uma avaliação especializada!